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O
Porto
Olinda
& Recife II
Por Leonardo
Dantas Silva - Instituto Ricardo Brennand
Continuação
No governo de Sebastião de Castro Caldas (1707-1710), o
primeiro
governador nomeado por D. João V, de Portugal, possuidor de
nítido partidarismo em favor dos mascates, para desgosto dos
olindenses e da chamada nobreza da terra, foi o Recife elevado
à
categoria de Vila. Com o nome de Santo Antônio do Recife, por
carta régia de 19 de novembro de 1709, foi instalada a nova
vila. No Largo do Corpo Santo (Bairro do Recife), foi erguido o
pelourinho, símbolo do poder municipal, em 15 de fevereiro
do
ano seguinte (substituído por outro de maior porte, em 3 de
março do mesmo ano). Logo foram escolhidos os primeiros
vereadores de sua Câmara, aos quais caberia a
administração municipal, não se
devendo mais
obediência aos vereadores de Olinda.
A então Vila estava circunscrita às freguesias de
São Pedro Gonçalves e Santo Antônio,
área
compreendida pelos atuais bairros do Recife, Santo Antônio e
São José; pois as terras da Boa Vista ficaram sob
a
dependência da Câmara de Olinda até a
primeira
metade do século XIX.
No século XVIII a influência econômica e
política da capitania de Pernambuco se faziam presentes do
Ceará até a foz do Rio São Francisco,
transformando o Recife no principal porto exportador e importador de
riquezas. Em torno do núcleo portuário,
já
então unido ao continente pelas imensas pontes
construídas pelo Conde de Nassau (1643), cresceu o centro
econômico da capitania reunindo no Recife um grande
comércio, responsável pelo abastecimento de toda
região. Através do Recife eram exportados o
açúcar, o fumo, as peles, o algodão, o
pau-brasil
e outras riquezas produzidas pelas capitanias do Norte. Em
contrapartida, ingressava pelo mesmo porto a maior parte dos bens
consumidos, não somente no Recife e Olinda como nas mais
remotas
comunidades rurais, o que fazia movimentar o grande comércio
e a
pequena navegação de cabotagem, em atividade
até a
primeira metade do século XX.
Enquanto a nascente Vila de Santo Antônio do Recife
prosperava,
transformando-se no centro de maior comércio da
região, a
cidade de Olinda permanecia como que parada no tempo. Graças
ao
movimento constante de carga e descarga do seu porto, com a
presença de navios que se destinavam não somente
à
Europa como também à África e
até às
Índias, a antiga povoação dos
Arrecifes
transformara-se na capital econômica da poderosa capitania de
Pernambuco.

Olinda, por sua vez, jamais voltou a dispor do seu status de capital
dos tempos que antecederam ao incêndio de 1631,
transformando-se
com o passar dos anos na sede administrativa de Pernambuco. Nela se
encontravam o Palácio dos Governadores (séc.
XVII) e o
Senado da Câmara, a catedral do Salvador do Mundo (1540) e o
Bispado (1677), o Hospital da Santa Casa de Misericórdia
(1540)
e a Cadeia Eclesiástica (Aljube), o Colégio dos
Jesuítas (1568) e o Horto Botânico, o
Seminário
Diocesano (1800), assim como os conventos sedes das principais ordens
religiosas – Franciscanos (1885), Carmelitas (1588) e
Beneditinos
(1592) –, e o Curso Jurídico, que veio a
funcionar, entre
1828 e 1854, nas salas do Mosteiro de São Bento.
Com a abertura dos portos às nações
amigas pelo
Príncipe Regente Dom João, em 1808, o porto do
Recife,
que segundo Henry Koster possuía uma
população de
cerca de 25.000 habitantes, veio a se tornar de maior movimento
comercial da colônia, chegando a exportar no ano seguinte
12.801
caixas de açúcar. Os altos preços
obtidos por este
produto, que em 1817 atingiu a quantia de 17 francos a arroba, e pelo
algodão, “então com um aumento de 500
por
cento”, fez surgir na província grandes fortunas e
um
maior intercâmbio com os Estados Unidos e a Europa.
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