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O
Porto
Olinda
& Recife II
Por Leonardo
Dantas Silva - Instituto Ricardo Brennand
Continuação
Ao contrário do século XVIII, o século
XIX
é detentor de uma rica iconografia do Recife, Olinda e seus
arredores. Talvez seja esta a parte do Brasil mais retratada pelos
artistas, que aqui estiveram, a exemplo de Alberto Gabriel Frederico
Secretan (1793-1852), um suíço de Lausanne que
aportou no
Brasil em 1827, demorando-se no Recife e em Salvador, chegando ao Rio
de Janeiro em 5 de janeiro de 1836 onde faleceu em 1852. É
dele
a autoria da primeira litografia executada no Recife, datada de 1827
sob o título "Vista do Farol e do interior do Porto de
Pernambuco tomada do Poço".
Também viajantes eram surpreendidos com o panorama oferecido
pelo Recife e Olinda. O mais importante deles seria Henry Koster, autor
do clássico Travels in Brazil (Londres 1816), no qual
publica
várias paisagens do Recife, do interior e um Plano do Porto
de
Pernambuco (160/233 mm.), gravado por Sidney Hall. Outros viajantes
preocuparam-se em retratar as belezas do Recife, Olinda e interior, a
exemplo de Spix e Martius (1817), James Henderson (1816), L. F. de
Tollenare (1817), Maria Graham (1821), que documentou a ilha dos Cocos
e o Arco do Bom Jesus; do marinhista inglês Emeric Essex
Vidal
(1791-1861), que documentou em aquarelas a entrada do porto (1827),
além de outros anônimos.
Com o passar dos anos, através de aterros dos terrenos de
alagados e de cursos d’água, foi o Recife
crescendo em
área, muito embora, somente em 1817, por provisão
de 6 de
dezembro, foram desmembrados do termo de Olinda o atual
bairro da
Boa Vista e a povoação dos Afogados.
Em 1823 foi o Recife promovido à categoria de Cidade, por
Carta
Imperial de 5 de dezembro, seguindo-se de sua
elevação
à Capital de Pernambuco, através de
Resolução do Conselho Geral da
Província datada de
15 de fevereiro de 1827.
Através de resoluções posteriores da
presidência do Conselho da Província, foram unidas
ao
território do Recife as freguesias da Várzea e do
Poço da Panela, bem como o restante da Boa Vista. Em 1862, o
município do Recife era composto pelas freguesias de
São
Pedro Gonçalves, Santo Antônio, São
José,
Boa Vista, Afogados, Muribeca, Poço da Panela,
Várzea,
Santo Amaro do Jaboatão e São Lourenço
da Mata;
estas duas últimas transformadas em município
autônomo em 1873 e 1884.
Durante a República o município do Recife
permaneceu com
o seu território inalterado até 1919, quando, no
governo
de Manoel Antônio Pereira Borba, o Congresso Legislativo do
Estado de Pernambuco, pela Lei n.º 1430, sancionada
em 10 de
junho de 1919, estabeleceu os novos limites com o município
de
Olinda. Por aquele diploma legal estabeleceu-se uma linha
divisória a partir da fortaleza do Buraco, “do
marco
subterrâneo colocado na raiz do molhe que nasce no istmo de
Olinda e limita a bacia do porto, por uma linha imaginária
à ponte da Tacaruna” [....]
“até
alcançar o marco divisório das propriedades Piaba
e
Jardim, próximo à margem do rio Paratibe; sobe,
em
seguida, o curso deste rio até a foz do riacho Cova da
Onça, daí acompanhando os limites da propriedade
desse
nome até o marco do córrego Riacho Seco, ponto
terminal
da divisória dos dois municípios.”
Ainda nas confrontações e limites, a lei estadual
n.º 1430, anteriormente citada, preceitua em seu artigo
segundo:
“Os terrenos que, atualmente, pertencem a um dos
municípios [Recife ou Olinda] e que por este ato passam para
o outro, serão considerados ipso-facto entregues a
cada um
dos municípios para o qual foram transferidos,
independentemente
de mais formalidades, desde que for publicada a presente lei.”
A última modificação de limites do
Recife ocorre
em 1928, quando a Lei nº 1931, de 11 de setembro, que trata da
nova divisão administrativa do Estado de Pernambuco,
estabeleceu
em seu artigo 3º o acréscimo do
território do
município do Recife “pela
anexação que lhe
é feita dos distritos de Beberibe e do Arruda e os
territórios do povoado de Coqueiral e de toda vila de
Tejipió, excetuada a parte denominada de Sycupira,
os dois
primeiros desmembrados do município de Olinda e os dois
últimos do de Jaboatão”.
Olinda, de onde se vê...
Ao longo dos séculos, porém, Olinda, com a sua
paisagem
tecida de sonho e claridade, impregnada pelas diversas tonalidades de
verde, nas águas do seu mar, e de azul e outras cores no
crepúsculo do seu céu, foi o eterno
fascínio de
todos que a conheceram. Enquanto o Recife reunia
atenções
pela sua importância econômica, Olinda reservava
aos
viajantes o deleite de sua paisagem litorânea, povoada de
jangadas e outros tipos de embarcações, sendo
hoje fonte
de deleite e de paz para recifenses e olindenses.
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