Menu

facebook twitter Instagram Youtube Linkedin

Comunicação

Comunicação > Notícias

20 de abril de 2015

Sob palmas

Foto: Divulgação
Sob palmas

Cais do Sertão completa um ano de vida como modelo de museu de sucesso: média de público da casa é de nove mil pessoas por mês

Júlio Cavani

Uma ligação simbólica entre o Porto do Recife e a paisagem cultural do profundo interior nordestino tem sido promovida com sucesso pelo Cais do Sertão, que comemora um ano de atividades neste mês de abril e já é o segundo museu mais visitado de Pernambuco (o primeiro é o Instituto Ricardo Brennand). Nos primeiros 12 meses, o espaço já recebeu mais de 110 mil visitantes e caminha para atingir uma média de público de 10 mil por mês.

Quem passa pelo prédio, entretanto, já percebe que ainda há obras a serem inauguradas. Apenas a primeira etapa está em funcionamento. O segundo módulo do prédio, que é ainda maior em área (5,5 mil metros quadrados), abrigará um auditório para 280 pessoas, restaurante, café, espaços de convivência e salas para exposições temporárias, oficinas e cursos. Ainda não há uma data prevista para a abertura. As obras de construção civil foram finalizadas, mas restam as instalações hidráulicas, elétricas e de equipamentos, que devem ficar prontas até o fim de 2015.

A exposição que está em cartaz no primeiro módulo não foi planejada para ser permanente, segundo Célio Pontes, gerente-geral do Cais do Sertão. De acordo com ele, as peças devem ficar em exposição durante cinco anos e ainda não há um projeto para o que virá em seguida: “Não se trabalha mais com esse conceito de permanência, nem em museus antigos como o Louvre. A Monalisa pode até ficar no mesmo lugar, mas o que está ao redor dela sempre muda. É essa expectativa que cativa as pessoas e fideliza o público para uma volta.”

Além do sábado e do domingo, a terça (quando a entrada é gratuita) é o dia mais visitado. A maior parte do público é formada por visitantes espontâneos e menos da metade é levada por escolas e excursões. Em março, por exemplo, alunos de 64 escolas foram levados ao museu e participaram de atividades lúdicas educativas desenvolvidas pelos professores, que passam por capacitações.

A condução operacional do Cais é desenvolvida pelo Instituto de Desenvolvimento de Gestão (IDG), organização social sem fins lucrativos que venceu concorrência para assumir a função e precisará passar por uma nova seleção em setembro para renovar o contrato (ou ser substituído). Especializado em gestão de equipamentos culturais, o IDG também é responsável pela gestão do Paço do Frevo e dos parques urbanos da Macaxeira e de Santana. No Rio de Janeiro, eles comandam as Bibliotecas-Parque e o Museu do Amanhã. O Instituto foi fundado em 2013, mas seus integrantes já passaram pela direção de espaços como o Museu da Língua Portuguesa, o Museu do Futebol (em São Paulo), o Sesc de Pernambuco e a Fundação Roberto Marinho, com passagens pelo Ministério da Cultura.

A comemoração oficial do primeiro aniversário será no domingo (26), às 15h30, com apresentações do grupo percussivo Bongar e do sanfoneiro Camarão, além de outras surpresas. Arlindo dos Oito Baixos (1942-2013) é o homenageado do mês e um filme sobre sua obra é projetado às terças às 19h. Em maio, o catálogo com fotos das obras do museu sairá pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe).

Serviço

Cais do Sertão
Endereço: Avenida Alfredo Lisboa, sem número, Bairro do Recife
Visitação: Terças, das 9h às 21h;
de quarta a sexta-feira, das 9h às 17h; sábado, das 13h às 19h; domingo,
das 11h às 19h.
Ingressos: R$ 8 e R$ 4 (meia), exceto terça (grátis)
Informações: 3089-2974

4 preferidos

Consultas feitas com vistantes identificaram quais são as atrações
que fazem mais sucesso
no Cais do Sertão.


Túnel do Capeta
Chama atenção pelas cores azuladas, que se destacam em meio à paisagem terrosa do Cais do Sertão, e pela forma complexa, que lembra um grande cristal de gelo. Lá dentro, graças a um jogo de câmeras escondidas, o público sente-se vigiado por alguma entidade sobrenatural intrigante, enquanto ouve vozes que sussurram nomes e adjetivos associados ao Diabo. As assombrações e mitos sobrenaturais sertanejos são a inspiração do ambiente, projetado pelo artista Carlos Nader, que apresenta ainda textos dos livros Os Sertões (Euclides da Cunha) e Grande Sertão: Veredas (Guimarães Rosa).

SALA DO IMBALANÇA
Localizada no fim do piso superior do museu, é um dos ambientes mais interativos do Cais do Sertão. O ideal é que o espaço seja visitado por grupos, que podem tocar instrumentos musicais utilizados principalmente no forró e em ritmos folclóricos nordestinos. O público pode manusear sanfona, rabeca, zabumba, ganzá, triângulo, cavaquinho, violão, alfaia, gonguê, agogô de cocos, caixa, pífano, pratos e caracaxá (espécie de chocalho estrelado de metal).

SERTÃO MUNDO
Logo na entrada, o público é engolido por Sertão Mundo, filme do cineasta Marcelo Gomes (Cinema, Aspirina e Urubus) produzido especial e exclusivamente para o ser exibido no museu. A projeção ocorre em quatro telas (uma delas direcionada para o chão) que criam uma situação imersiva. As imagens promovem uma viagem através dos séculos, que começa em um passado onde havia mar na região e leva a um eclético bar situado em Varzinha (distrito de Serra Talhada), em meio a fósseis, motocicletas e skates. Além deste trabalho de Gomes, o Cais do Sertão também conta com trabalhos elaborados pelos cineastas pernambucanos Lírio Ferreira, Kleber Mendonça Filho e Camilo Cavalcante.

CASA DO TRANSTEMPO
Instalação reproduz configuração de uma casa de taipa onde podem ser vistos utensílios e adereços do cotidiano do sertanejo. “As pessoas choram, sobretudo as mais velhas. Não é permitido tocar nos objetos, mas é quase impossível impedir isso”, diz o mediador Sandro Cunha. Nas paredes, vídeos de Sérgio Roizenblit e fotografias de Cafi e Miguel Rio Branco, retratos lambe-lambe e imagens de santos.

Números

110 mil
pessoas já visitaram o Cais
do Sertão em 1 ano

9 mil
pessoas é a média
de público mensal

21 mil
pessoas foi o público do mês de janeiro, que atraiu mais visitantes

5,5 mil m²
será a área da segunda
etapa do museu

280
pessoas é a capacidade do auditório que será inaugurado

R$ 97 milhões
é o total de verbas a serem investidas nas duas etapas


Movimentação

No momento

07navios atracados

Toneladas em operação

1.085.784neste ano

Tábua de marés

Clique aqui

Vídeo Institucional