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22 de junho de 2022

Obra de dragagem do Porto do Recife não foi a responsável pelo “mar de lixo” causado na costa pernam

Foto: Coordenadoria de Imprensa do Porto do Recife
Obra de dragagem do Porto do Recife não foi a responsável pelo “mar de lixo” causado na costa pernam

Em relatório divulgado nesta segunda-feira (20), a Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) excluiu a possibilidade da dragagem do Porto do Recife, que começou no dia 22 de janeiro, ser a origem do acúmulo de lixo encontrado no litoral sul da Região Metropolitana do Recife, no final de janeiro. Para o órgão, a causa da grande quantidade de resíduos sólidos no mar foram as chuvas incomuns no primeiro mês do ano e uma mudança no sentido dos ventos.

De acordo com o documento, “os rios litorâneos, especialmente, os Rios Capibaribe, Beberibe e Pina são a origem do lixo encontrado nas praias, no período. As chuvas com índices pluviométricos acima do normal acarretaram em alagamentos por toda a RMR que lavaram vastas áreas, carregando grande quantidade de dejetos indevidamente dispostos em ruas, terrenos baldios e lixões para as galerias de águas pluviais e consequentemente para canais de drenagem, desembocando no mar”.

“Ao chegarem ao oceano, o direcionamento dos resíduos sólidos foi então influenciado pelas forças altamente favoráveis das correntes marinhas e do sentido dos ventos, até que voltassem ao continente, através da dispersão em faixas de areia.”

Em fevereiro, uma equipe de pesquisadores da UFPE, a qual realizou uma vistoria na obra de dragagem do ancoradouro, já havia constatado que o aparecimento de resíduos sólidos nas faixas de areia foi causado por um conjunto de fatores atípicos que aconteceram no verão: chuva intensa nas cabeceiras dos rios e uma anomalia hidrológica que afetou correntes marítimas e ventos. O vice-reitor da UFPE, Moacyr Araújo, que acompanhou a equipe, reforçou à época: "Por mais intensa que esteja sendo a obra de dragagem, a fiscalização e o cuidado com a operação é grande. O bota-fora fica a 11 km da linha de costa e existe também uma triagem do material sólido antes do descarte. Portanto, esse excesso de resíduo de plástico não é oriundo da dragagem. É muita coisa para vir só daquele lugar, é um problema maior que ficou muito mais evidente por conta desses dois fatores meteoceanográficos, o excesso de chuva no verão e a virada dos ventos. Muito provavelmente, esse lixo vem dos rios, é um resíduo com características de atividade urbana”.

Para chegar a conclusão do relatório, equipes de fiscalização do CPRH realizaram vistorias e monitoramento de acompanhamento da operação de dragagem, desde a etapa de coleta do material, separação de resíduos sólidos, até o despejo do material dragado em alto-mar em local pré-definido através do processo de licenciamento.

O CPRH também acompanhou a etapa de retirada de resíduos sólidos provenientes do processo de dragagem, que após a coleta foram submetidos a uma fase de peneiramento, sendo em seguida estocados em bolsões de acondicionamento temporário “big-bags” na própria embarcação até posterior envio para destinação final ambientalmente adequada, o aterro sanitário.

O Porto do Recife realizou, a pedido da CPRH, um mergulho na região do bota-fora, comando por uma equipe do Corpo de Bombeiros. “Desde as primeiras denúncias, o Porto do Recife colaborou com o CPRH para realização das fiscalizações e esclarecimento dos fatos. Nossa equipe de gestão ambiental, junto com os órgãos competentes e empresa contratada para realizar o monitoramento ambiental da obra, supervisionaram todas as etapas da operação e já haviam constatado que a dragagem não estava gerando esse aparecimento de lixo nas praias. Mas foi o trabalho de mergulho, realizado em parceria com o Corpo de Bombeiros, que comprovou a inculpabilidade da nossa obra”, reforça José Lindoso, presidente do  Porto do Recife.


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