Navio de guerra da Marinha Francesa aporta no Recife
Foto: Igor Bione/ JC
A embarcação já esteve nos mares durante o conflito na Líbia, em 2011, e ajudou no combate ao narcotráfico
Milenna Gomes
Foi uma parada breve, das
O La Fayette é uma fragata para multimissões. Isso significa que o navio pode auxiliar combates submarinos, na superfície e no ar (durante a visita ao Recife, inclusive, um helicóptero estava pousado na pista externa do barco). A possibilidade de, em um único lugar, desenvolver aptidões marítimas e anti-guerra atrai diversos marinheiros. A bordo estão 157 tripulantes de 18 nacionalidades (algumas mulheres). Vinte e sete embarcaram como voluntários, aprendizes que encontraram no intercâmbio naval uma forma de aperfeiçoar habilidades de navegação.
Carioca e único brasileiro no navio, Lohan Lopes, 24 anos, conta que conseguiu ingressar na missão por se formar como o terceiro melhor da Escola Naval do Rio de Janeiro. O rapaz é segundo-tenente de operações, ou seja, trabalha diretamente com radares, antenas e comunicação do barco. Ele já está há dois meses e meio no mar, depois de pegar um voo até a França e partir de lá no BCP Mistral, navio que atua em conjunto ao La Fayette. Há apenas seis dias mudou de "casa". "A outra embarcação seguiu viagem por ser maior e autônoma. Nós tivemos que abastecer", explica o motivo da rápida passagem por Pernambuco.
Para ele, muito mais que dificuldades técnicas, as barreiras culturais são as mais difíceis de transpassar. "Eu não dominava bem a língua e as pessoas são diferentes, por isso foi complicado no início. Com o tempo, melhorou. Essa vivência é muito importante para entender como funciona a Marinha Francesa. Estou aprendendo muito", avalia. Mas nem tudo é obstáculo. Conhecer lugares nunca antes imaginados faz parte da rotina dos marinheiros. Eles têm a liberdade de sair do navio ao aportarem em um dos destinos. Até agora, já passaram pela África, Ilha de Santa Helena (que pertence ao território britânico e é uma das mais isoladas do mundo), Rio de Janeiro e Recife. Vão agora navegar pelo Atlântico Norte, alcançar os Estados Unidos, Canadá e voltar para a Europa.
NAVIO - O passeio pelo interior do barco é um pouco confuso, mesmo com os direcionamentos de Lohan e outros oficiais. São diversas passagens, subidas e descidas, corredores estreitos, metal, botões e escadas pouco recomendadas para pessoas desajeitadas. Claustrofobia, definitivamente, não pode ser um problema para os marinheiros. Eles passam meses no mar e a proposta da missão é treinar os homens, justamente, para situações ainda mais adversas. O barco oferece essa segurança. Construído em 1996, começou a navegar como um dos mais tecnológicos da época. O design arrojado e o material com que foi montado não permite que ele seja detectado por radares, por exemplo. Ainda hoje é considerado moderno, segundo o capitão Serge Bordarier. Em breve, entre cinco e seis anos, vai passar por uma boa revitalização.
Fonte: JC Online – Publicação

















