Porto do Recife chega aos 95 anos de existência
Terminal portuário tem história de turbulências e inovações
APESAR da idade, agenda é lotada durante todo o ano, com navios de várias partes do mundo
Tatiana Notaro
A existência do Recife está diretamente ligada à sua zona
portuária e, na verdade, aquele espaço é seu verdadeiro núcleo: foi em volta
dele que a Cidade tornouse o que é. Hoje, faz 95 anos que o Porto do Recife se
tornou um terminal organizado e iniciou sua turbulenta trajetória como empresa
– do sustento pelas mãos da extinta estatal Portobrás até precisar sobreviver
com a própria receita. Na narrativa do atual diretor Comercial e de Operações e
ex-presidente do ancoradouro, Carlos Vilar, são 95 anos de arquivos e 38 de
testemunho. Se um dia a ideia era encerrar as atividades, hoje o Porto se
orgulha de seus armazéns lotados. “Sou portuário, olho muito para a carga e
temos de todos os tipos aqui”, disse. Naquele tempo, depois de obras, a então
concessionária Societé Construction du Port entregou o equipamento a
Pernambuco, que foi autarquia estadual até 1979. “Foi quando o Porto foi
encampado pela Portobrás. Virou administração federal”, relembrou o diretor.
Naquele período, o dinheiro vinha dos cofres da União e a folha de pagamento
incluía 600 empregados. “Até então, recebíamos subsídio da Portobrás, inclusive
para despesas de custeio. Com a extinção, ficamos sob gestão da Companhia Docas
do Rio Grande do Norte. Cadê dinheiro?”, narrou. Foram dez anos – de
Rejuvenescimento com projetos modernos
Próximo de completar um século, o Porto do Recife está rejuvenescendo com projetos modernos e que o transformará num dos principais centros de turismo do Nordeste. Perde parte do ancoradouro dos navios, mas está ganhando museu, polo gastronômico entre outras novidades que estão em curso. No próximo dia 13 de outubro, começa a operar o seu terminal de passageiros, com a chegada do primeiro navio. Embora ainda com um “plano B”, em parceria com a Empresa Pernambucana de Turismo (Empetur) e a Prefeitura do Recife, o início da atividade dará outros ares aos turistas que chegam ao Recife por via marítima, porque o que antes era feito em meio a cargas e sem a devida segurança, passará a ter um equipamento estruturado, resultado de um investimento de R$ 28 milhões. A operacionalização efetiva do terminal aguarda edital da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e a inauguração oficial depende da agenda do governador Eduardo Campos e da presidente Dilma Rousseff. “Eu vejo o Porto como uma empresa totalmente viável, assumindo sua função complementar a Suape”, apontou o presidente do Porto do Recife, Rogério Leão. Citando o polo em desenvolvimento na Mata Norte do Estado, Leão disse que “o Porto do Recife se insere como uma luva, e passamos a ter muita representatividade”, argumentou. Já o início das obras de recuperação estrutural dos cais 6, 7 e 8/9, já licitadas, aguarda recursos da Secretaria Especial de Portos (SEP), na ordem de R$ 140 milhões.
Saiba mais
OBRA – Foi na obra de 1979 que o Porto do Recife ganhou novos cais, os armazéns
5 e 6 (cada um com 7,5 mil m²) e 65 mil m² de pátio. Ganhou também mais mil
metros lineares para que pudesse ser feito o cais de estaca.
Fonte: Folha de Pernambuco (

















