Recife é o Vale do Silício brasileiro
Foto: WikimediaCommons/Américo Nunes
Pernambuco sempre
esteve à frente de seu tempo. Desde a ocupação dos holandeses, lá por 1630, o
estado tinha um intenso comércio, sobretudo em Recife, onde os
comerciantes eram chamados de “mascates”.
Anos, décadas e séculos se
passaram e hoje a cidade pernambucana mostra que tem muito mais a oferecer ao
Brasil e ao mundo do que sua bela paisagem e seu famoso Carnaval ao som do
frevo e desfile de blocos e troças.
Berço de importantes centros de inovação e do maior
parque tecnológico do País, Recife é atualmente o maior polo tecnológico do
Brasil. Cada vez em maior número, multinacionais como IBM, Accenture, Microsoft, HP e Samsung,
escolhem a região para instalar fábricas e centros de pesquisa.
Em março do ano passado, foi a vez
da Fiat Chrysler. Ela anunciou que instalará um centro de pesquisa e
desenvolvimento em Recife, que será localizado dentro do parque tecnológico
Porto Digital, fundado em 2000 para fomentar a área de tecnologia de informação
no Nordeste.
Desde os anos 70, quando foi
criado o curso de Ciência da Computação na Universidade Federal de Pernambuco
(UFPE), a cidade formava um grande número de profissionais qualificados na área
de TI, o que gerou de um crescimento de empresas para servir a indústria local.
“Entre os anos 70 e 80, Recife
tinha se tornado uma referência regional na área de TI. Mas, com a crise dos
anos
Na época, Pernambuco se tornou um
dos estados com o maior número de exportações de mão de obra qualificada do
País, principalmente para o eixo Rio-São Paulo, e até para o exterior -- o que
exigiu um movimento para frear esta situação.
Na contramão da debandada de
empresas e profissionais, foi criado o Centro de Estudos e Sistemas Avançados
do Recife (C.E.S.A.R.), em 1996, hoje localizado no já citado Porto Digital,
criado em 2000.
O C.E.S.A.R. é um centro privado
de inovação que desenvolve soluções em todo o processo de geração de inovação
em e com tecnologias da
informação e comunicação. Hoje conta com mais de 600
colaboradores e oferece incubadoras, cursos profissionalizantes, mestrado e
pretende criar cursos de graduação (todos voltados para a áreas de Engenharia,
Tecnologia da Informação e Design).
No último ano, o centro faturou R$
80 milhões e em seu portfólio já passaram grandes empresas como o instituto
Coca-Cola e Telefônica VIVO.
Já o parque tecnológico Porto
Digital abriga mais de 250 startups, pequenas, médias e grandes empresas e
multinacionais que somam mais de 7.100 trabalhadores em uma área de
O parque é gerenciado de forma
privada por uma Organização Social (O.S.) sem fins lucrativos, o Núcleo de
Gestão do Porto Digital (NGPD), e conta com incentivo do governo para
desenvolver empresas nascentes nas áreas de economia criativa, tecnologia da
informação e de desenvolvimento de softwares. O parque totalizou um faturamento
de R$ 1 bilhão em 2014.
“Quando os incentivos à tecnologia surgiram,
as empresas começaram a crescer, a gerar oportunidades e reter os talentos de
Recife”, diz o superintendente do C.E.S.A.R., Sergio Cavalcante. "Por
tanto esforço, atualmente Recife é o maior polo tecnológico, em termos de
projetos desenvolvidos e nascimento de empresas.”
O tempero pernambucano
Não só a história ajudou Recife a
carregar o título de polo tecnológico. A cidade tem alguns pontos fortes que
atraem as empresas.
De acordo com um estudo da
consultoria Urban Systems, Recife é a cidade brasileira com a melhor infraestrutura para
negócios -- além, é claro, de ter um ótimo capital humano, como foi dito
anteriormente.
A cidade também se destaca em
áreas fundamentais para o desenvolvimento e expansão das empresas, como uma
localização estratégica para o Nordeste, e o transporte, com Porto do Recife e
com o melhor aeroporto do Brasil, de acordo com a Secretaria de Aviação Civil
(SAC).
Recife também foi a segunda cidade
do Brasil a receber fibra óptica da Telefônica Vivo, atrás apenas de São Paulo.
A boa fama na área de TI e
empreendedorismo também trouxe o maior evento de tecnologia do País, a Campus
Party, que está rolando até este domingo, dia 26. Esta é a quarta edição do
evento na cidade.
Do gargalo à solução
Segundo Guilherme, do Porto
Digital, com o crescimento, Recife adotou alguns problemas bem conhecidos por
outros centros urbanos, como a falta desegurança, falta de iluminação
pública e, o principal gargalo da cidade: a mobilidade pública.
Mas, como uma cidade que reúne
poderosos centros de inovação e empreendedorismo, tais limitações se tornaram
uma oportunidade de negócio para os pernambucanos. “Projetos como do Itaú, de
espalhar bikes laranjas pelos centros urbanos, foram iniciados aqui”, diz
Guilherme.
Partindo da mesma ideia, agora o
desafio é outro: o Porto Digital está testando o primeiro sistema de
compartilhamento de carros elétricos (car sharing) do Brasil, solução para
melhorar a mobilidade urbana. A ideia é que o projeto incentive a carona
através de um sistema que facilite o compartilhamento de rotas.
"Esperamos que, com a
consolidação da ideia, o poder público veja seu valor e resolva expandi-la,
como aconteceu com o aluguel de bicicletas que hoje já tem mais de 70 estações",
disse o Presidente do Porto Digital, Francisco Saboy.

















